Silvia Noronha
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Silvia Noronha
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The Future of Stones - speculation on contaminated matter (O Futuro das Pedras - especulação sobre matéria contaminada), 2016

Paisagens Mineradas, (Mined landscapes) - touring exhibition, 2024 / 2025

 

*Project developed in collaboration with Professor Dr. Martin Kaupenjohann, the Institute of Applied Geosciences, and the Geochemical Laboratory at TU Berlin, Germany.

curated by Isadora Canela

Funarte MG - Belo Horizonte

Matilha Cultural - São Paulo

Museu da Inconfidência,Ouro Preto

Foto Ativa,Virada Cultural Amazônia de Pé, Belém do Pará

The Future of Stones - speculation on contaminated matter, 2016, Installation view, glass display case containing Soil samples collected after the environmental crime in Mariana, Brazil, following an experimental simulation of rock formation processes, Matilha Cultural, São Paulo, BR, 2024

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Spekulative Geologie spekulatives design, spekulatives geologie,

The Future of Stones - speculation on contaminated matter, 2016, detail, glass display case containing Soil samples collected after the environmental crime in Mariana, Brazil, following an experimental simulation of rock formation processes, Matilha Cultural, São Paulo, BR, 2024

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(PT) A obra O Futuro das Pedras - especulação sobre matéria contaminada consiste em uma geologia especulativa em torno dos resultados materiais que sucedem o rompimento da barragem do Fundão em Mariana, ocorrido no dia 5 de novembro de 2015. A artista coletou amostras do solo contaminado em diferentes locais das ruínas do distrito de Bento Rodrigues. Neste projeto pseudo-científico-alquimista, desenvolvido em parceria com o Instituto de Geociências Aplicadas e o Laboratório Geoquímico da Universidade Técnica de Berlim, as amostras foram trabalhadas empiricamente, encolhendo artificialmente o tempo geológico através da aplicação de alta pressão e temperatura com o objetivo de desenvolver uma pedra do futuro.

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Artista visual e pesquisadora mineira, Silvia Noronha se interessa em uma relação com a agência da matéria em um processo participativo e de compartilhamento. Desde 2015, pesquisa o que nomeia geologia especulativa - um processo pseudo-científico onde entende o solo como mídia que concentra informações multidimensionais, especialmente sobre o tempo.

 

(EN) The Future of Stones – Speculations on Contaminated Matter is a speculative geology project centered on the material aftermath of the Fundão dam collapse in Mariana, Brazil, on November 5, 2015. For the work, the artist collected contaminated soil samples from different sites within the ruins of Bento Rodrigues, the district most severely affected by the disaster.

Developed in collaboration with the Institute of Applied Geosciences and the Geochemical Laboratory at the Technical University of Berlin, this pseudo-scientific and alchemical investigation treats the collected samples through an experimental process that artificially compresses geological time. By subjecting the material to extreme pressure and temperature, the project seeks to produce a “stone of the future,” speculating on the long-term material transformations of contaminated landscapes and the temporal scales embedded within the earth.

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Silvia Noronha is a visual artist and researcher from Minas Gerais, Brazil. Her practice explores the agency of matter through participatory and collective processes of exchange and knowledge-sharing. Since 2015, she has been developing what she terms speculative geology—a pseudo-scientific methodology that approaches soil as a medium capable of storing and transmitting multidimensional information, particularly in relation to time.

 

(PT)Sobre a exposição:

Nos horizontes do tempo, cicatrizes desenham as paisagens do corpo, da memória e da terra. Do cerrado à Amazônia, a mineração põe em risco a vida, humana e não humana, extrai e faz pó o belo dos horizontes.

Era sexta-feira, 25 de janeiro de 2019; sem nenhuma sirene ou aviso, a terra treme. De proporções colossais, a barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho se rompe impetuosamente num tsunami tóxico que em poucos minutos soterrou os sonhos, os amores, as vidas de 272 pessoas e 133 hectares de vegetação nativa de Mata Atlântica. Vazio onde um dia foi montanha.

A transformação da paisagem é fato refletido no pensamento de Davi Kopenawa, xamã Yanomami, em que na obra A Queda do Céu associa o cair do céu à retirada do chão:
“Eles viram ao branco tirar o chão da floresta, com seus enormes tratores para abrir esse caminho (…) Escavação e escavação, brancos ameaçam puxar para cima as raízes do céu que são mantidas no lugar pelo metal de Omama”

A mineração, que sustenta séculos de um padrão extrativista colonizador eurocêntrico e patriarcal, desenhou com sangue os mapas do mundo e assim segue. No norte, o garimpo ilegal e a legalidade injusta das grandes multinacionais alteram o curso dos rios e da vida. Há de se lembrar Mariana, 2015, a maior tragédia ambiental da história do país, e quatro anos depois Brumadinho, a maior tragédia humana do Brasil. Em comum as marcas da exploração e da impunidade.

No seu e no meu corpo a mineração nos circunda. O celular, o trem, o carro, a bicicleta, o relógio. Buracos de quilômetros em uma paisagem adoecida pela lógica da mercantilização da Terra e da vida.

Desde o período colonial o Brasil teve muitas Vilas Ricas, cidades marcadas pelo escoamento de riqueza e pelo impacto causado pela caça ao minério. Mineiro é gentílico e identidade que se forma em deformidade extrativista. E na capital não é diferente. Palco das políticas e decisões judiciais dos maiores crimes socioambientais do país, Belo Horizonte é terra explorada, abraçada numa ironia geológica, por cartões postais de montanhas que sangram. A Serra do Curral materializa no epicentro do poder as paisagens de todo o estado.

As memórias afetivas de Drummond denunciam a mudança da paisagem. Como em estado de luto, no poema A montanha pulverizada, ele rememora o Pico do Cauê: um marco da topografia mineira que compunha a paisagem que o poeta avistava de sua janela e que desapareceu. Foi levado por vagões para um porto. O Pico do Cauê era mais uma pedra no meio do caminho.

Paisagens mineradas são paisagens entrecortadas de entranhas expostas, camadas de memória do que um dia foi vivo. E vida é um imperativo de transformação: renasce, desobedece, se reinventa. Quando soterradas, viramos sementes. Aqui Paisagens Mineradas é convite a um imaginário de solo fértil. Nessa lama vermelho-sangue semeamos a vida. Em um misto de manifesto, memória e oração, esta exposição reúne 12 mulheres artistas que, feito mãe-terra, se organizam em rede para germinar outras paisagens possíveis.

Este projeto é dedicado a todas as vítimas humanas e não humanas de Brumadinho e Mariana e se estende a todos que foram e são impactados pela mineração ao redor do mundo.

Isadora Canela e Marina Kilikian
Realização: Instituto Camila e Luiz Taliberti

 

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